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Santa Teresa de Jesus: mestra de vida e oração

Entrevista com Ir. Assunta Romio, STJ



Neste mês em que celebramos a vida e as obras de Santa Teresa de Jesus, conversamos com a irmã teresiana Assunta Romio que é doutora em teologia e especialista em Teresa D’Ávila.


Quem foi Santa Teresa de Jesus?

Teresa de Jesus nasceu na Espanha em 1515 e morreu em Alba de Tormes também na Espanha em 1582. Aos 22 anos foi ao convento da Encarnação de Ávila para viver como monja Carmelita dentro da espiritualidade teresiana. Escreveu suas experiências de vida interior e partilhou com amigos e amigas confessores e monjas a humanidade de Jesus Cristo que chegou até os nossos dias, escrevendo o Livro da Vida, O Caminho, Moradas, Cartas e muitos outros. Ao longo da vida, fundou 17 conventos do norte ao sul da Espanha, se movimentando em carruagens, em carroças e pernoitando nas casas em que podiam dar uma hospedagem. Todos esses conventos tinham como prioridade viver a pobreza e se sustentar do próprio trabalho, tendo como meta a vida de oração.


Por que Santa Teresa de Jesus é chamada de mestre de vida e oração?

Boa pergunta. Teresa percebeu ao longo da sua vida que Deus a chamava para uma missão: ser mestre de oração. Ela fez a experiência de se encontrar consigo mesma, com os outros e com Deus. O que chama atenção na sua descrição e na sua narrativa é que a experiência que ela narrou é uma experiência profunda e um convite a fazer um caminho de interioridade porque neste caminho ela podia se encontrar com Deus que habitava.

Esta foi a maior descoberta de Teresa de Jesus: sentir-se habitada por Deus. Deus fazia morada nela no seu interior. Desde ali, nesse espaço da vida começou a escrever e desenhar o caminho de encontro com o sagrado Deus.

Nesses encontros, Teresa percebia que emanava nela uma força, luzes e, tanto a força como as luzes, abriam caminhos para que ela vivesse na fidelidade a sua consagração. Ela proporcionou a todos os que se aproximavam dela a possibilidade de também hoje fazer o itinerário de oração e de encontro com Deus.


Por que no Brasil Santa Teresa foi intitulada a padroeira dos professores?

Santa Teresa é considerada a mestra de oração e apresenta uma excelente pedagogia e um itinerário oracional. É considerada padroeira pela forma como lidava e acompanhava as pessoas que desejavam fazer um caminho interior.

Aos 20 anos, fez a opção de entrar e fazer parte do Carmelo da Encarnação em Ávila Espanha. Teresa escreveu suas experiências interiores como um diálogo com o leitor e ao mesmo tempo ela o convida a fazer parte do seu grupo de amigos em Cristo A Proposta era conhecer Jesus Cristo, amá-lo e torná-lo conhecido e amado.

Teresa foi canonizada pelo Papa Gregório VI em 1622 e reconhecida como doutora da igreja por Paulo VI em 1970. O dia de Santa Teresa é 15 de outubro, mais tarde passou a ser comemorado na mesma data também o Dia do Educador. Ela é padroeira dos professores juntamente com São João Batista La Salle, Santo Agostinho e outros. Estes são, na verdade, os grandes ícones do educador pelas suas entregas, projeto de vida e compromisso com a missão de ajudar no desenvolvimento de crianças, jovens e adultos, ajudando-os a descobrir os dons e qualidades a serem colocadas a serviço na missão de transformar o mundo. Ser educador, ser educadora à luz de Teresa é viver na autenticidade a proposta de Jesus Cristo hoje, ser outro Jesus aqui na terra.


Quais são as principais obras e na sua opinião? Qual é o poema mais belo de Santa Teresa?

Bem aqui é um pouco difícil decidir qual é a obra, mas poderia destacar o “Livro da Vida” que é a sua autobiografia, “O Caminho” que é o manual de oração, “Moradas” ou “Castelo Interior” que é a síntese da experiência mística de Teresa, “As Cartas” que é a correspondência pessoal de Teresa, e “As Fundações” que são as crônicas de suas viagens para a formação das pequenas comunidades, e “Conta de Consciência” ou “Relações” que são as anotações das suas experiências de oração e experiência mística.

Todos eles têm como foco o amor de Deus com a sua criatura que é o ser humano, esse ser humano amado e querido por Deus. Teresa ajuda a fazer o caminho de encontro com Deus, encontro que transforma, encontro que planifica, encontro que dá vida, a vida em plenitude, a certeza de ser habitada por Deus. Esta é a meta. Ele sempre está no nosso interior esperando para um encontro íntimo, onde se pode conversar e estar com o amigo de todas as horas.

E o livro que eu posso destacar neste momento que me ajudou muito para poder entender e compreender Santa Teresa na prática, ela próxima de nós, é o livro das Cartas. Eu acho que o livro das Cartas dá uma revelação de quem a Teresa de Jesus hoje para nós teresianos e teresianas.


Quais são as características da Santa que inspiram o carisma das Irmãs Teresianas?

Uma das grandes características que aprendemos de Teresa e que podemos destacar hoje é a alegria do encontro com Deus no mais profundo de nós mesmas; Colocar-se a serviço d’Ele como apóstolas e discípulas, na presença de um Deus que se comunica no interior de cada pessoa; O silêncio, a oração e viver do próprio trabalho.

Um outro aspecto é o conhecimento próprio, profundo respeito pela pessoa e viver a verdade e na verdade; Valorização da pessoa no aspecto espiritual, social, relacional e festivo; A pessoa é obra de Deus, por isso, precisa ser respeitada; E a contemplação que leva à ação e ela reafirma por três vezes em suas obras: Marta e Maria sempre andam juntas, oração e ação.


Qual o mais importante ensinamento de Santa Teresa para a vida contemporânea atual?

Podemos dizer que Teresa deixou um legado para a humanidade. Por isso é uma das mulheres mais lidas no mundo.

Segundo o Padre Tomás Alvares, o grande teresianista, depois da Bíblia, o livro mais traduzido é o das obras completas de Santa Teresa. Destaco alguns aspectos significativos que ela nos deixou e hoje são importantes para vivermos:

- A espiritualidade teresiana que ultrapassa as barreiras do contexto social, político, econômico, religioso e cultural;

- A centralidade de em Jesus Cristo, o encontro com a Trindade;

- As relações que somos convidados a viver, devem sempre inspirar a viver a verdade como um valor;

- A perseverança e a persistência, a busca da integridade e o sentido da existência;

- Tempo de estar consigo, consciência da própria vulnerabilidade do qual nós vivemos, mas que podemos encontrar dentro de nós a força e a luz para vivermos;

- A busca da integridade humana, espiritual, cósmica;

- Vivermos relações que realmente constroem e geram vida;

- Algo que a mim me impressiona muito, que Teresa nos deixou como legado, é acreditar no potencial humano como dom e graça, e colocá-lo a serviço;

- Ser agradecidos e agradecidas sempre;

- A espiritualidade teresiana é uma espiritualidade integrada e integradora porque Marta e Maria sempre andam juntas;

- Ser teresianas aqui e agora, construindo a teia do amor, partilhar, doar, rezar, contemplar, eis o compromisso da vida do ser teresiano e do ser teresiana;

- Estar a serviço da missão iniciada por Teresa de Jesus;

- Conhecer e amar Jesus, torná-lo conhecido e amado por todo o mundo.


Irmã Assunta conclui dizendo que: “ser teresiano e ser teresiana é um dom e uma graça”.

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