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  • Foto do escritorJoão Marcos Silva

Sessão de Abertura – Palavras da Madre Geral, Asunción Codes, Stj.


CONSIDERAÇÕES DE ABERTURA DO XVIII CAPÍTULO GERAL DA COMPANHIA DE

SANTA TERESA DE JESUS


Tortosa, 4 de setembro de 2023


Queridas irmãs: Bem-vindas a esta Casa, a casa do Pai, costumamos dizer, onde se respira a sua presença e repousam os seus restos; onde se escondem tanta história vivida na Companhia e tantas histórias de irmãs que por aqui passaram. Hoje ela acolhe a todas nós para celebrar o XVIII Capítulo Geral e testemunhará, mais uma vez, o caminho que o Espírito continua a inspirar e mover no coração dos Teresianos.

Agradecemos todo o esforço e preparação que a celebração deste evento implicou, tanto para a comunidade da casa como para a Província Teresiana da Europa. Sabemos que foram alguns meses de muito trabalho e insônia para nos receber e poder usufruir de condições que sem dúvida serão muito úteis para o desenvolvimento do Capítulo.

É significativo que iniciemos o nosso Capítulo ao mesmo tempo que a Igreja se prepara para celebrar uma fase importante do Sínodo da sinodalidade. O caminho sinodal que vivemos na Igreja confirmou e acompanhou o nosso processo capitular e, certamente, preparou-nos para viver de forma renovada um Capítulo Geral. Nesta convocação, que representa toda a Sociedade (Const. art. 116), somos convidadas a viver uma autêntica experiência sinodal: caminhar juntas em comunhão, discernir juntas na corresponsabilidade e participar com compromisso na criação de um futuro cheio de esperança, tornando-nos carregadas de amor que humaniza o mundo e as relações.

Mas não há dúvida de que seguimos este caminho no meio de realidades e situações que nos dizem que a tempestade açoita objetivamente o barco da Igreja e do mundo e, claro, também das nossas congregações. Como muitos de vocês vivenciam ou expressaram como realidades que os afetam mais de perto, não nos faltam injustiças diante das quais nos sentimos impotentes, escândalos que decepcionam ou confundem, catástrofes que desmoralizam, traços desumanizantes que descobrimos em grande escala ou na vida cotidiana, preguiça ou desinteresse em alcançar acordos globais ou locais no mundo educacional, social, político-econômico, que busquem o bem comum, etc. E tudo isso muitas vezes põe à prova a fé e a confiança, bem como a alegria e a audácia de que necessitamos para nos sentirmos vivas e capazes de respostas novas e criativas.

As fortes mudanças que estão ocorrendo em todos os níveis, juntamente com a sensação de pequenez, de incerteza e de vulnerabilidade, fazem com que hoje a Vida Religiosa seja muitas vezes percebida como um caminho através de um deserto, sem caminhos claros, sem rumos pré-determinados, sem possibilidade de retrocesso, apenas com a certeza íntima de que deve avançar e continuar buscando apoio na Palavra do Senhor que é eternamente estável: “Farei caminho no deserto e rios na estepe” (Is 43, 16-19 ).

Ao longo do processo capitular reconhecemos que não basta aceitar a nossa vulnerabilidade, mas que é necessário abraçar a sabedoria que nela está escondida. Hoje, este abraço pode significar para todas nós descobrir e cuidar das sementes de esperança que existem em toda a realidade, mesmo que o seu crescimento só dependa de Deus; Abraçar a nossa vulnerabilidade com fé pode levar-nos a arriscar o nosso futuro pelo bem do mundo e do seu futuro, e a aceitar que as mudanças não vêm por imposição ou por nos sentirmos fortes. A novidade de vida que almejamos alcança-se abraçando, perdoando, cooperando e criando vínculos que incluam a todos.

Irmãs, todas concordamos em valorizar e agradecer o tesouro da espiritualidade e do carisma teresiano de Enrique de Ossó e se entrarmos no coração de Teresa e Enrique sabemos por experiência que o grande segredo que acompanhou suas vidas a serviço de Deus e sua Igreja eram confiança e amor, ou em outras palavras, seu segredo era viver como Jesus estava no mundo, renunciando a uma posição de poder e influência para mudá-lo, e abrindo-se continuamente à novidade do Pai, que tira vida nova das cinzas, dos escombros e da morte.

O Senhor ESTÁ PRESENTE em tudo o que vivemos hoje, mesmo que nos machuque ou nos confunda, e nada pode impedir o seu desejo ardente de nos encontrar, nem a noite, nem a tempestade, nem mesmo a nossa falta de fé. A sua NOVIDADE e a sua PROMESSA estão aí, a pergunta que devemos nos fazer é: como dar espaço ao novo que Tu queres nos mostrar agora? Através de quais novas linguagens o Senhor tenta nos tirar do medo para enfrentar o nosso presente com esperança, determinação e criatividade? Coragem não é ausência de medo, mas sim a disposição de agir para enfrentá-lo. Que ações nos são solicitadas para vivermos com sabedoria e caminharmos sinodalmente num mundo interconectado e emergente, amorosamente recriado por Deus?

As nossas instituições necessitam sempre de mudanças estruturais e organizacionais, mas acima de tudo precisamos de percorrer esse caminho interior de abertura e conversão a novas e diferentes relações, procurando, juntamente com outros, novos lugares ou formas de viver a missão e novos vínculos e colaborações para oferecer, servir melhor os nossos irmãos e irmãs num mundo em constante mudança e que exige novas presenças educativas, comunidades que alimentem a esperança humana, fontes de uma espiritualidade que permeie e englobe toda a vida e a humanize.

É nossa responsabilidade, Irmãs Teresianas de todo o mundo, permitir que a graça atue em nós e nas nossas comunidades para que os nossos carismas continuem a oferecer a sua imensa riqueza através de nós e para além da nossa mediação. Somos uma grande Família carismática e precisamos despertar e ampliar nossa consciência pessoal e coletiva, para que todos possam caber em nossos espaços comunitários e missionários, e sintamos que somos parceiras na diversidade de fronteiras que hoje existe, amigos e tecelões de laços com homens e mulheres de diferentes culturas e credos; mulheres reconciliadas com a sua verdade, corajosas e resilientes, empenhadas em criar formas de ser e de viver onde os dons das pessoas sejam descobertos e potenciados e onde tudo de bom na existência humana flua.

Estes desejos que Deus colocou em nós levaram-nos a intuir e a concretizar cada vez mais o apelo a percorrer este caminho de conversão rumo a uma nova identidade comunitária. E É POR ISSO QUE ESTAMOS AQUI HOJE...

Estamos aqui, irmãs, para assumir como Companhia a responsabilidade que nasce do amor. Um grande amor por este mundo do qual fazemos parte e um grande amor pela Igreja e pela Companhia como ela é e como é. O discernimento é sempre amor que busca e move a nossa liberdade rumo àquela forma de ver, sentir, pensar e agir de Deus, que ama e se comove com toda a realidade humana. Não podemos imaginar estes dias de discernimento em comum sem uma abertura cordial e sincera ao mundo, às suas buscas, lutas e credos, procurando neles o que há de Deus escondido.

Estamos aqui para discernir o que fazer face a esta realidade, como nos situar nela, que caminhos e passos possíveis podemos dar em comunhão e cooperação com tantos outros. Não queremos deixar as coisas como estão, nem sonhamos com resultados imediatos ou com mudanças que não estejam nas nossas mãos, mas queremos introduzir algo novo e mudar na vida da Companhia, em fidelidade ao Espírito que sempre nos leva além de onde estamos.

Estamos aqui porque acreditamos que é possível viver este tempo em sinodalidade, ou seja, num processo de conexão, escuta e discernimento, onde todas somos convidadas a falar com coragem da nossa verdade, aquela que trazemos de diferentes lugares e contextos. Porque acreditamos que é na diversidade das vozes onde o Espírito se faz sentir e no conjunto de todas elas onde é necessário captar o que Deus quer comunicar hoje a toda a Companhia. Precisamos treinar-nos naquela liberdade interior que nos leva a ampliar o olhar do local ao global, sem nos amarrarmos ao nosso, para assumirmos juntas o chamado ou o convite que Deus nos faz.

Todas somos corresponsáveis ​​nesta escuta e na tomada de decisões maduras que podem materializar-se na diversidade de contextos e países onde estamos. Da mesma forma, sentimo-nos também empenhadas na procura e eleição da nova Equipa que assumirá a liderança que a Companhia necessita neste momento da sua história para levar a cabo, no caminho da sinodalidade, as decisões que tomaremos em conjunto.

Mais de um terço do grupo assiste pela primeira vez a um Capítulo Geral e isso sem dúvida traz novidade, frescor e mudanças nas perspectivas e nos modos de proceder. Na realidade, todas deveríamos situar-nos como discípulas e aprendizes, ligadas pelo amor e pelo sentimento de pertença a esta Família, a Companhia de Santa Teresa de Jesus.

Termino sublinhando que o objetivo do processo capitular não é produzir documentos ou projetar o futuro, mas abrir horizontes de esperança para encarnar hoje, com amor e audácia, a missão que Deus continua a nos confiar. Iniciei o meu serviço governamental com algumas palavras do Santo que repito hoje com a mesma força: “…só o amor nos fará acelerar os passos; o temor de Deus nos fará vigiar onde colocamos os pés, para não cair no caminho onde há tanto em que tropeçar.(CP 40,1). Encorajo-vos a iniciar desta forma este novo período da história da Companhia e estou sinceramente grata pelo grande bem que recebi de todas vocês, irmãs da Companhia, neste serviço que me ensinou a confiar, amar e ter esperança, agradecer todos os dias pelo milagre da vida que surge sem sabermos exatamente como. Quero continuar sendo para cada uma, sua irmã, amiga e parceira. OBRIGADA, IRMÃS.


Codes Asunción Jimenez, stj.


Para saber mais um pouco sobre o que está acontecendo no Capítulo Geral acesse:

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